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As fontes dos desejos do mundo

Algures no mundo, neste preciso momento, alguém deixa cair uma moeda na água e pede alguma coisa. Este guia trata de onde o fazem, de como cada lugar espera que seja feito, e de por que razão um gesto em que ninguém diz acreditar sobreviveu à queda dos deuses para quem foi inventado.

O que conta como fonte dos desejos

Menos do que se pensa, e mais. A Fontana di Trevi é o caso óbvio: um tanque, uma moeda, uma regra sobre que ombro. Mas a tradição a que pertence é mais antiga do que as fontes, e os seus parentes vivos não se lhe parecem nada.

Em Quioto bebe-se em vez de atirar. Em Praga toca-se num bronze e não se dá nada. Em Glastonbury só se pode deixar o que apodrece. Em Chichén Itzá as oferendas eram de ouro — e hoje o correcto é não dar absolutamente nada.

O que os une não é a água nem a moeda. É um lugar feito para que nos detenhamos, um pequeno gesto irreversível e um pedido que se guarda para nós.

Os lugares

Doze sítios, de uma nascente romana que engoliu doze mil moedas a um figueira-de-bengala de Hong Kong que foi preciso proteger da própria popularidade. Cada ficha explica como funciona realmente o ritual local, de onde vem, e o que fazer — ou não fazer — se lá for.

As tradições por trás

Por trás dos lugares estão três textos mais longos: a estrutura que todos os rituais de desejo partilham, a arqueologia da razão pela qual alguém começou a atirar metal às nascentes, e um panorama das formas que o mesmo acto assume noutros sítios — escrito, posto a flutuar, queimado, atado, partido.

E uma fonte online

A eFountain existe porque o gesto, afinal, viaja. Atira-se uma moeda, pede-se um desejo, e esse desejo nunca é publicado — guardado, ou selado de modo que nem nós o possamos ler. As regras que sustentam o ritual são as que este guia descreve: dá-se algo real, o momento é deliberado, e nada é dito em voz alta.

A primeira moeda é gratuita — a nossa maneira de dizer que primeiro deve descobrir se lhe faz alguma coisa, antes de decidir quanto vale.

Os lugares

Doze lugares onde se vai pedir um desejo, e a forma como cada um espera que seja feito.

  • Roma, Itália

    A Fontana di Trevi, Roma

    A fonte dos desejos mais famosa do mundo, e a que fixou as regras que todos copiam: mão direita, ombro esquerdo, de costas para a água.

  • Barcelona, Espanha

    A Font de Canaletes, Barcelona

    Uma pequena fonte de ferro no topo da Rambla com uma só regra: beba dela e voltará a Barcelona.

  • Iucatão, México

    O Cenote Sagrado de Chichén Itzá

    Um abismo de sessenta metros que os maias encheram de ouro, jade e incenso para chegar a Chaac. O sítio mais grave deste guia — e aquele em que não se toca.

  • Florença, Itália

    Il Porcellino, Florença

    Um javali de bronze com o focinho polido por quatro séculos de mãos, e um truque de moeda que só conta se o dinheiro passar a grelha.

  • Bath, Inglaterra

    A nascente sagrada de Bath

    Antes das fontes dos desejos havia nascentes sagradas. A de Bath devolveu doze mil moedas romanas — e cem cartas a uma deusa.

  • Glastonbury, Inglaterra

    Chalice Well, Glastonbury

    Uma nascente que corre vermelha de ferro e que nunca se viu secar. Aqui deixa-se uma fita ou uma palavra, não uma moeda.

  • Praga, Chéquia

    São João Nepomuceno, Ponte Carlos

    O ritual praguense não custa nada e não usa água. Põe-se a mão sobre um bronze polido por milhões de mãos antes da sua.

  • Central Park, Nova Iorque, Estados Unidos

    A fonte Bethesda, Nova Iorque

    Um anjo a abençoar a água, encomendado para celebrar a chegada da água limpa a uma cidade que morria por falta dela.

  • Quioto, Japão

    A cascata Otowa, Kiyomizu-dera

    Três fios da mesma nascente, cada um a prometer algo diferente. Espera-se que escolha um: levar os três é ganância.

  • Santuários xintoístas e templos budistas de todo o Japão

    A caixa de oferendas, Japão

    O ritual da moeda mais praticado do mundo. Uma moeda de cinco ienes, um sino, duas vénias e duas palmas — e algo subtilmente diferente de um desejo.

  • Banguecoque, Tailândia

    As 108 taças de Wat Pho

    Um corredor de 108 taças de bronze, uma moeda em cada uma, e um som que o acompanha por toda a extensão.

  • Lam Tsuen, Tai Po, Hong Kong

    As árvores dos desejos de Lam Tsuen

    Desejos escritos em papel vermelho, atados a uma laranja e atirados a uma figueira-de-bengala: uma tradição que foi preciso repensar depois da queda de um ramo.

A tradição

De onde vem o gesto, o que todas as suas versões têm em comum e as formas que assume noutros lugares.

  • Como pedir um desejo

    Retire o cenário local e todas as tradições de desejo do mundo fazem exactamente as mesmas quatro coisas. Aqui estão, e eis porque funcionam.

  • Porque atiramos moedas às fontes

    O hábito antecede as fontes, antecede o cristianismo, e começou por ser algo consideravelmente mais sério do que sorte.

  • Tradições de desejos pelo mundo

    Escrito, posto a flutuar, queimado, atado, partido, soprado ou atirado. Um percurso pelo mesmo acto em doze formas diferentes.

Peça um desejo agora

A eFountain é uma fonte dos desejos que vive na internet. Lance uma moeda e peça um desejo: nunca é publicado. A sua primeira moeda é gratuita.

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