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Tradições de desejos pelo mundo

A moeda na água é uma solução para um problema universal: como fazer com que uma intenção sinta que nos deixou? Todas as culturas responderam, e as respostas são mais variadas do que as fontes deste guia sugerem. O que se segue não é exaustivo — nada poderia ser — mas cobre as principais famílias.

Escrito e pendurado

No Japão, as ema são pequenas tábuas de madeira vendidas em santuários e templos. Escreve-se um desejo no verso, pendura-se num suporte com centenas de outras, e deixa-se ali. O nome significa cavalo-imagem: descendem do costume de doar um cavalo verdadeiro ao santuário, que nem todos podiam pagar, e um pintado fazia as vezes.

O mesmo instinto aparece onde quer que se escreva e se ate: bandeiras de oração nos Himalaias a libertar o seu texto ao vento à medida que se desfiam, desejos atados às grades dos santuários na Coreia e em Taiwan, papelinhos enfiados nas fendas de um muro. O desejo escrito é a forma mais duradoura: mantém-se legível, às vezes durante anos, e é a única que um estranho pode ler.

Posto a flutuar

No Loy Krathong, na Tailândia, pequenas jangadas de folha de bananeira com uma vela, incenso e uma moeda são lançadas em rios e lagos em Novembro, para honrar a água e para afastar os infortúnios do ano. Ver o próprio krathong desaparecer de vista é o essencial; se a vela se mantiver acesa, é bom sinal.

Lanternas flutuantes, lâmpadas de rio nas festas indianas, barcos de papel: a família é vasta. O seu traço distintivo é a duração. Uma moeda atirada desaparece num instante; um desejo posto a flutuar leva minutos a partir, e assiste-se a toda a partida.

Onde estas festas se tornaram acontecimentos turísticos de massas o custo ambiental é real, e as versões mais bem geridas exigem já materiais que se degradam.

Queimado, soprado, partido

As velas de aniversário são o ritual de desejo que quase toda a gente no mundo já cumpriu. Soprá-las todas de uma vez, em silêncio, e não contar a ninguém. Tem a estrutura completa: uma restrição, um silêncio, um momento irrepetível.

A fúrcula é mais antiga e mais estranha. Duas pessoas puxam o osso em forma de forquilha de uma ave até partir; quem fica com o pedaço maior vê o seu desejo cumprido. A prática chega ao mundo anglófono a partir da adivinhação romana por uma longa cadeia de superstições, e é um dos poucos rituais de desejo com um perdedor.

Soprar as sementes de um dente-de-leão, atirar uma pestana caída, pedir à primeira estrela ou a uma estrela cadente pertencem aqui: gratuitos, espontâneos, sem lugar fixo.

Atado, pregado, trancado

Os clootie wells da Irlanda, da Escócia e da Cornualha recebem tiras de pano atadas aos ramos em torno de uma nascente santa, muitas vezes por cura. O trapo deve apodrecer; ao decompor-se, o mal deve desvanecer-se com ele. Onde os visitantes atam hoje tecido sintético que nunca se degrada, o ritual deixou discretamente de funcionar nos seus próprios termos.

As árvores de moedas — troncos caídos do campo britânico com moedas cravadas de lado na madeira — são a mesma ideia em metal, ainda alimentada por gente que não faz ideia de como o costume começou.

Os cadeados do amor são o membro mais recente da família e o mais contestado. São uma prática popular autêntica, adoptada em todo o mundo em duas décadas, e as cidades vão-nos retirando porque toneladas de aço num parapeito são um problema estrutural. Paris limpou os gradeamentos da Pont des Arts em 2015, depois de uma secção ceder sob o peso.

Dado num limiar

A caixa saisen japonesa, as taças tailandesas de Wat Pho, a tigela de esmolas, o peditório: rituais em que a oferenda se faz no limite de um lugar sagrado e não na água. A dádiva é pequena, o gesto é formal, e o pedido é silencioso.

São os mais próximos da tradição das fontes, e não é coincidência. O tanque de uma fonte, o portão de um templo e uma nascente fechada atrás de pedra são a mesma ideia arquitectónica: um sítio onde se pára, se entrega algo, e por um momento não se está apenas de passagem.

O que todas têm em comum

Em todos os casos: dá-se irreversivelmente algo pequeno, uma restrição torna o momento deliberado, o desejo não é dito em voz alta, e quem o pede afasta-se sem confirmar.

Os materiais são locais — folhas, cera, pano, osso, latão, aço — mas a gramática é idêntica em todos os sítios onde alguém foi ver. É o facto mais interessante de todo este guia.

As perguntas que nos fazem

O que é uma ema?
Uma pequena tábua de madeira vendida em santuários e templos japoneses. Escreve-se nela um desejo e pendura-se num suporte. O nome significa cavalo-imagem, do costume mais antigo de doar um cavalo ao santuário.
Porque é que as cidades retiram os cadeados do amor?
O peso. Milhares de cadeados somam toneladas num gradeamento que não foi concebido para isso. Paris retirou os da Pont des Arts em 2015, depois de parte do parapeito ceder.
Existe alguma tradição de desejos que não custe nada?
Várias. Velas de aniversário, estrelas cadentes, dentes-de-leão e a fúrcula não exigem dinheiro, e o ritual da Ponte Carlos em Praga só pede que se ponha a mão sobre bronze.
  • Roma, Itália

    A Fontana di Trevi, Roma

    A fonte dos desejos mais famosa do mundo, e a que fixou as regras que todos copiam: mão direita, ombro esquerdo, de costas para a água.

  • Florença, Itália

    Il Porcellino, Florença

    Um javali de bronze com o focinho polido por quatro séculos de mãos, e um truque de moeda que só conta se o dinheiro passar a grelha.

  • Bath, Inglaterra

    A nascente sagrada de Bath

    Antes das fontes dos desejos havia nascentes sagradas. A de Bath devolveu doze mil moedas romanas — e cem cartas a uma deusa.

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