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Santuários xintoístas e templos budistas de todo o Japão

A caixa de oferendas, Japão

Se contarmos actos em vez de fama, o ritual da moeda mais frequente da Terra não é em Roma. Acontece milhões de vezes por dia diante de caixas de madeira com tampo de ripas, à entrada dos santuários e templos japoneses. A caixa é o saisen-bako, a moeda é normalmente de cinco ienes, e o que ali se passa parece-se com um desejo o suficiente para caber neste guia, e difere o suficiente para merecer explicação.

Porquê cinco ienes

A moeda de cinco ienes é de latão, tem um furo ao centro e vale muito pouco. É escolhida por um trocadilho. Cinco ienes diz-se go-en, e go-en é também a palavra para uma ligação, um laço, uma relação favorável — com uma pessoa, um lugar ou uma divindade.

Oferecer cinco ienes é, portanto, oferecer uma ligação. O furo ao centro dobra-se ao mesmo raciocínio: uma moeda através da qual se vê daria uma vista desimpedida do que vem aí. Quarenta e cinco ienes, nove moedas de cinco, são a versão reforçada do mesmo trocadilho.

Os supersticiosos evitam as moedas de dez ienes pela razão inversa: tō-en pode ler-se como distância, o laço afastado. Nada disto é doutrina. É um trocadilho tornado hábito, que é como se forma a maior parte dos rituais.

A sequência no santuário

Num santuário xintoísta a forma padrão é duas vénias, duas palmas, uma vénia — ni-rei ni-hakushu ichi-rei. A moeda vai primeiro à caixa, depois sacode-se a corda grossa para tocar o sino, e depois vêm as vénias e as palmas, com o pedido formulado em silêncio entre as palmas e a vénia final.

Antes disso tudo vem o temizu: no tanque de água junto à entrada, enxagua-se a mão esquerda, depois a direita, depois deita-se água na mão esquerda para enxaguar a boca, e deixa-se a água restante correr pelo cabo da concha para a limpar para o seguinte.

Num templo budista a sequência é outra — não se bate palmas. Deposita-se a moeda, faz-se uma vénia, juntam-se as palmas em gasshō e faz-se nova vénia. Bater palmas num templo é o erro mais comum dos visitantes, e de bastantes japoneses também.

Uma oração, não bem um desejo

A distinção conta se quiser fazê-lo com respeito. A convenção dominante é começar por dar o nome e de onde se vem, depois agradecer, e só então dizer o que se espera. Muitos não dizem nada sobre o futuro.

A moeda não é pagamento. Ninguém nesta tradição acredita que cinco ienes comprem um resultado; o montante é deliberadamente irrisório, e uma nota estaria mais perto da falta de educação do que da devoção. A oferenda é uma formalidade que marca a fronteira entre passar ao lado e ficar em frente.

Vale a pena notar que é exactamente o contrário da economia de Trevi, onde as moedas somam uma quantia enorme que acaba por alimentar pessoas. Ambas são sinceras. Apenas põem o peso em metades diferentes do gesto.

Se lá for

Fotografar o salão das oferendas costuma ser aceitável; fotografar pessoas em oração não. Caminhe ao lado do caminho central de um santuário em vez de pelo meio, tradicionalmente reservado à divindade.

Trocos são a etiqueta correcta, por isso guarde alguns. Quase todos os santuários de certa dimensão vendem também tábuas ema e oráculos omikuji, ambos práticas de desejo por direito próprio.

Como fazer uma oferenda num santuário xintoísta

  1. Purifique-se no tanque

    Mão esquerda, mão direita, depois enxagúe a boca a partir da mão esquerda. Nunca beba directamente da concha.

  2. Ponha a moeda na caixa

    Cinco ienes, se os tiver. Deposite-a em vez de a atirar.

  3. Toque o sino

    Sacuda a corda uma ou duas vezes, onde houver sino.

  4. Duas vénias, duas palmas

    Vénias profundas a partir da cintura, depois duas palmas com a mão direita ligeiramente mais baixa do que a esquerda.

  5. Diga aquilo a que veio, depois uma última vénia

    Em silêncio, mãos juntas. Nome e agradecimento primeiro é a forma habitual. Termine com uma vénia profunda.

Em resumo

Moeda habitual
Cinco ienes — go-en, uma ligação
Sequência no santuário
Duas vénias, duas palmas, uma vénia
Sequência no templo
Vénia, palmas juntas, vénia — sem bater palmas
Antes de começar
Enxaguar mãos e boca no tanque

As perguntas que nos fazem

Quanto se põe numa caixa saisen?
Cinco ienes é a escolha tradicional, pelo trocadilho com go-en, uma ligação. O montante é deliberadamente pequeno — não é um pagamento, e uma quantia grande não é mais respeitosa.
Bate-se palmas num templo budista?
Não. As palmas pertencem aos santuários xintoístas. Num templo deposita-se a moeda, faz-se uma vénia, juntam-se as palmas em silêncio e faz-se nova vénia.
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