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Glastonbury, Inglaterra

Chalice Well, Glastonbury

Nem todos os lugares de desejos querem o seu dinheiro. Chalice Well fica ao pé do Tor de Glastonbury, num jardim em socalcos, produz água tingida de ferrugem pelo ferro, e há muitíssimo tempo recebe gente que quer alguma coisa. O que deixam para trás é normalmente pano, ou nada.

A nascente vermelha

A água transporta ferro dissolvido, que oxida em contacto com o ar e cobre canais e tanques de um vermelho ocre profundo. Uma segunda nascente próxima, a White Spring, é carregada de cálcio e deixa a cor oposta. Duas nascentes, dois minerais, a algumas dezenas de metros uma da outra — o tipo de coincidência que uma paisagem não precisa de forçar para significar algo.

O caudal é notavelmente constante, e atravessou secas que esvaziaram outros poços do Somerset. Essa fiabilidade faz parte da sua fama: uma nascente que seca é uma nascente que retirou o seu favor, e esta não o fez.

A história do Graal

A lenda medieval e posterior liga Glastonbury a José de Arimateia, e a água vermelha ao sangue de Cristo, com o Graal supostamente enterrado junto à nascente. Nada disto tem fundamento histórico, e o Chalice Well Trust, que cuida do jardim, não finge o contrário.

A história continua, ainda assim, a fazer o seu trabalho. Explica como uma peregrinação cristã, um renascimento pagão e muitíssima gente sem religião nenhuma acabam sentados à volta do mesmo poço sem grande atrito.

A tampa e a vesica piscis

A tampa de madeira do poço foi desenhada por Frederick Bligh Bond em 1919, como dádiva comemorativa após a Primeira Guerra Mundial. O seu motivo em ferro forjado é uma vesica piscis: dois círculos sobrepostos, símbolo antigo de dois mundos que se encontram ao longo de uma aresta comum.

É o objecto mais fotografado do jardim, e vale a pena reparar que é uma tampa. Bath fechou a sua nascente atrás de pedra; Glastonbury cobre o seu poço com ferro e madeira. Os lugares de desejos são quase sempre lugares onde não se pode bem meter a mão.

O que as pessoas deixam

Fitas e tiras de pano atadas a ramos e gradeamentos, pedrinhas, flores, às vezes um bilhete escrito. Atar pano numa nascente curativa é prática antiga e difundida na Grã-Bretanha e na Irlanda, onde esses lugares se chamam clootie wells: o trapo apodrece, e ao apodrecer deve levar consigo o mal que representa.

Aqui a moeda não tem curso. O jardim pede que não se deixe nada que não se degrade, o que exclui quase tudo o que por instinto se quer dar. Pode beber-se a água na boca de leão, sentar-se junto ao tanque curativo e sair de mãos vazias — o que para muitos visitantes se revela a versão mais difícil do ritual.

Se lá for

O jardim abre todos os dias, com uma entrada paga que financia a sua manutenção, e é deliberadamente silencioso: sem música, sem piqueniques nos relvados nas horas de maior afluência, e com a expectativa geral de que se fale baixo.

Leve uma garrafa se quiser levar água; a bica à entrada do jardim corre livremente. O sabor a ferro é forte e não agrada a toda a gente.

Em resumo

Cor
O óxido de ferro tinge de vermelho a água e os canais
Tampa do poço
Frederick Bligh Bond, 1919
Símbolo
Vesica piscis — dois círculos sobrepostos
O que deixar
Fitas e oferendas biodegradáveis, não moedas

As perguntas que nos fazem

Podem atirar-se moedas a Chalice Well?
Não. O jardim pede que não se deixe nada não biodegradável junto ao poço. A tradição local usa pano atado aos ramos, que se decompõe, em vez de metal, que não.
Pode beber-se a água?
Sim, na bica prevista no jardim. É fortemente ferruginosa e sabe a isso.
  • Praga, Chéquia

    São João Nepomuceno, Ponte Carlos

    O ritual praguense não custa nada e não usa água. Põe-se a mão sobre um bronze polido por milhões de mãos antes da sua.

  • Barcelona, Espanha

    A Font de Canaletes, Barcelona

    Uma pequena fonte de ferro no topo da Rambla com uma só regra: beba dela e voltará a Barcelona.

  • Central Park, Nova Iorque, Estados Unidos

    A fonte Bethesda, Nova Iorque

    Um anjo a abençoar a água, encomendado para celebrar a chegada da água limpa a uma cidade que morria por falta dela.

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